Sócrates foi um dos mais famosos filósofos da história (470-399 A.C). Costumava comparar o seu trabalho com o de sua mãe, que era parteira. Dizia que não é a parteira que dá a luz ao bebê, ela só fica por perto para ajudar durante o parto.

Sócrates acreditava que a sua tarefa era a de ajudar as pessoas a “parirem” uma opinião própria, mais acertada, pois, o verdadeiro conhecimento tem de vir de dentro e não “espremendo” para que ele ocorra. Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento.

Quero convidá-lo para refletir sobre a escuta na educação.  Será que os pais são pacientes para ouvirem o que os filhos têm a dizer-lhes? Será que a eles é dada essa permissão?

Pense:”Quando foi que ajudei meu filho a parir uma ideia própria, vinda de dentro dele? Costumo ouvi-lo ou preciso falar mais do que ele? Tenho o hábito de perguntar como ele se sentiu com relação aos acontecimentos, que não deram certo, ou já vou logo dizendo: ‘bem que avisei!’. Demonstro interesse por seu pensamento ou enquanto fala, falo junto com ele, pois, esperar não é comigo?”.

É importante lembrarmos que toda relação tem dois lados, mas nem sempre ambos são considerados, principalmente, quando um dos lados é uma criança.

Penso que o mesmo respeito que manifestamos a quem chamamos de Senhor ou Senhora deveríamos, também, demonstrar pela criança.  O momento de sua vida é precioso, ela está aprendendo a pensar, está construindo seus valores.  O cuidado deve ser extremo! Vai precisar da ajuda constante dos adultos.

O ponto de interrogação pode ser uma valiosa ferramenta para estimular o pensamento dos filhos, principalmente, quando nos cobram com muitas queixas.

Aquelas que nos despertam a sensação de que nunca conseguimos agradá-los o suficiente: “Você não liga para mim”! “Tudo eu, tudo eu, nesta casa!” “Você não gosta de mim!” “Só compra o que o meu (a) irmão (a) quer!” “É sempre assim, estou em último lugar!” “Não adianta eu pedir, você nunca me deixa fazer o que gosto!” “Nunca tem nada gostoso nesta casa para comer!”…

 Imagine! O “ponto de interrogação” substituindo o confronto!

Quando você sabe que as queixas não são verdadeiras, não é preciso se explicar na tentativa de convencer o filho de que ele está enganado. Ele não vai entender, mesmo!  O importante é que você o ajude a descobrir como ele se sente.

Por intermédio da pergunta (do ponto de interrogação), a responsabilidade da reflexão é devolvida aos filhos: “Você acha que peço para que faça muitas coisas aqui em casa?” “Você tem se sentido cansado?” “O que faz você pensar que eu não gosto de você?” “Você acha que presenteio mais o seu irmão (a) do que a você? Quando isso aconteceu? Observe e depois me conte!”…

Sendo assim, a responsabilidade pelo pensar passa a ser do filho. É um ótimo exercício!

 Portanto, os pais podem criar condições para que as ideias e as opiniões dos filhos nasçam naturalmente, vindas de uma saudável gestação.

No entanto, sem a escuta necessária, os abortos de pensamentos serão frequentes!

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