A autoridade que se perde dentro de casa

por | abr 28, 2026 | Meus Artigos | 0 Comentários

 

Educar um filho nem sempre começa nele…
Muitas vezes, começa no encontro silencioso do adulto com a própria história.

 

 

 

Há algo que chama atenção quando observamos algumas famílias.

 

Pais que, no mundo lá fora, ocupam cargos de liderança, tomam decisões importantes, conduzem equipes…
mas que, dentro de casa, parecem se desorganizar diante de uma criança de poucos anos.

 

Basta uma birra.
Um choro mais intenso.
Um olhar de frustração.
E aquilo que parecia tão firme… desmorona

 

Não se trata de falta de conhecimento.
Muitos se orientam, estudam, se esforçam…
e, ainda assim, algo mais profundo se revela.

 

Educar um filho é uma experiência que, muitas vezes, convoca o adulto a revisitar a própria infância.
E nem sempre esse encontro é simples.

Porque, por melhor que tenha sido a infância,
houve dores e frustrações —
vividas a partir do olhar de uma criança.

Porque colocar limites implica frustrar.

E frustrar um filho pode, em alguns casos, ser vivido como algo ameaçador:
como se estivesse repetindo uma dor antiga — talvez raiva, rejeição, medo…
e, assim, ao contrariar, colocasse em risco o vínculo com a criança.

Como se, por instantes, os papéis de pais e filhos se misturassem.

 

Diante disso, muitos pais cedem.

 

E, pouco a pouco, algo sutil acontece:
a criança passa a ocupar um lugar que não é dela.
E, assim, podemos estar diante de uma dinâmica
em que pais se tornam obedientes a filhos autoritários.

Nem sempre a dificuldade está na criança.
Pode estar em como o adulto ocupa o seu lugar.

 

Talvez, nesse processo, ressignificar a própria infância possa trazer mais luz às relações.

 

Rita Martucci

 

 

 

 

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